ENTREVISTA COM DONNIE SUMNER

 

Jacquie – Quantos dias durante a semana você fica na estrada?

Donnie – Cerca de quatro dias na semana.

Jacquie – Quatro dias por semana em média, na estrada... Isto é cansativo para você, não é?

Donnie – É mais cansativo agora do que costumava ser, eu estou fazendo 61 anos em dezembro e eu viajo entre 60.000 a 70.000 milhas ao ano dentro de um carro. Eu fiz 90.000 a 100.000 milhas por muitos anos e eu comecei a ter que diminuir um pouco. Eu costumava fazer 28 shows por mês e simplesmente não consigo mais devido a minha idade. Eu sinto muito cansaço nessa fase de minha vida. E se eu pudesse encontrar felicidade e realização fazendo outra coisa eu faria. Mas essa é a minha vocação na vida, e o que me realiza então eu suponho que enquanto eu estiver respirando e puder andar, eu o farei. (risos)

Jacquie – Seu mais novo projeto acabou de ser lançado no último 26 de agosto passado (2003) e eu acabei de ouvir e amei: o CD “Together again with J.D. Sumner”. Graças a sua iniciativa e as maravilhas da tecnologia.

Donnie Foi divertido fazer isso.

Jacquie Lá estavam você e seu tio, “gravando” em estúdio... Eu imagino o quanto você sente falta dele ainda. Você poderia falar sobre esse trabalho supremo? Você gostaria de compartilhar conosco algum momento especial que você teve enquanto trabalhava no projeto?

Donnie – Jacquie, eu tinha várias horas de fita que eu tinha feito, eu tive que ouvir todas. E às vezes J.D. dizia coisas engraçadas e eu ficava ali sentado rindo enquanto ouvia relembrando do jeito dele na hora em que ele disse tais coisas. Eu disse num momento “vamos gravar algo” e nós estávamos cantando a música e eu queria que fosse perfeita porque eu ia dar a um amigo dele e jamais achei que um dia poderíamos fazer algo além. Nós estávamos apenas nos divertindo, ele estava cantando e eu ia dar uma cópia da música para um amigo dele e quando acabamos, não tinha ficado tão bom - então eu disse “J.D., você quer gravar de novo?” E ele disse “Não, filho” - ele disse “se ficar melhor do que isso ele saberá quem foi”. (risos). A propósito, no Livro de recordes mundiais “Guinness Book of World Records”, J.D. está listado como o cantor e o ser humano que atinge a nota mais baixa, ele chega no que eles chamam de “nota A abaixo de um duplo C baixo” e nesse record ele desceu cinco notas abaixo desta! “Where the Roses Never Fade...” naquela gravação ele atinge “nota E abaixo de um duplo C baixo”.

Jacquie – Você sabe em que música ele o fez?

Donnie – Foi naquele CD, eu acredito que é a música de número 3. “Where the Roses Never Fade”.

Jacquie – Ele era incrível, realmente. Mas você é incrível também!!! (risos)

Donnie – Obrigado. E eu sou um cara muito ciumento também! (risos)

Jacquie – Você poderia nos dizer sobre o projeto que você tem para o futuro? O que você está pensando em termos de projetos novos? Seria muito bom se você pudesse nos dizer de antemão.

Donnie Eu estou trabalhando em várias coisas, eu encontrei muito prazer escrevendo livros. Eu escrevi uma série de livros para crianças. Mas no momento eu estou trabalhando em um livro que fala de minhas memórias e que se chamará “Na sombra de Reis”: é sobre minha vida com J.D., minha vida com Elvis e minha vida com Cristo - pois esses são os Três Reis na minha vida.

Jacquie – Donnie, que coisa bacana, eu mal posso esperar.

Donnie – Eu espero terminar em breve, eu também estou trabalhando em outro disco onde meu irmão canta, meu filho canta e eu estou tentando colocar meu filho cantando tenor, eu cantando “lead”, meu irmão cantando barítono e usar algum material que eu tenho do J.D. em fita. - J.D. cantando baixo vocal - Fazendo assim, formaremos um “Quarteto de Sumner...”.

Jacquie – Quando você espera lançar esse disco?

Donnie – Bem, se tudo correr dentro do esperado, acho que em janeiro ou fevereiro (2004).

Jacquie – Ótimo, dentro de alguns poucos meses.

Donnie – Eu espero que sim.

Jacquie – Você poderia nos avisar?

Donnie – Os líderes de fã clubes vão avisar a todo mundo. Aliás, você já assistiu em Memphis ao show que fizemos com Elvis em que ele está no telão, certo? (Elvis, The Concert). Okay, então no dia 8 de Janeiro, em Memphis, no Holiday Inn, nós estaremos fazendo uma homenagem ao J.D. Sumner e seu legado.

Jacquie – Pelos cinco anos de sua morte?

Donnie – Sim, será um show virtual como o que foi feito com o Elvis.

Jacquie – Eu não sei se você sabe Donnie, mas o Brasil tem uma grande comunidade Cristã. Baseado em toda a experiência que você teve em sua vida talvez você gostaria de deixar uma mensagem para todos nós. Fique a vontade meu amigo e Deus abençoe você e suas palavras.

Donnie – Jacquie, eu apenas tenho uma história e essa é a história de uma vida nova em Cristo. A melhor vida que eu já vivi... - eu me diverti muito com Elvis, eu me diverti muito com os Stamps, mas a melhor coisa que eu fiz foi aceitar Cristo como meu Senhor porque ele me segurou quando eu estava em pedaços, quando minha vida estava toda destruída, quando meu cérebro estava “frito” (pelas drogas). No meu ponto mais baixo quando ninguém mais se importava Ele se importou e somente Ele é a fonte do que eu sou agora. Tudo que eu digo que sou, tudo que eu tenho, tudo que eu serei e terei eu tenho que dar a Ele todo o crédito.

Jacquie – É uma mensagem maravilhosa e eu tenho certeza que todos deveriam ler. Bem, você gostaria de nos dizer algo mais? Da minha parte eu terminei as questões, mas se você quiser contar algo mais eu agradeceria.

Donnie – Eu apenas responderei algumas das perguntas que eu mais escuto – e que incrivelmente você optou em não ir por este caminho, o que eu acho muito gentil de sua parte, entende? Uma pergunta que eu sempre escuto é “que tipo de pessoa era Elvis?” E eu digo para todo mundo que ele era o jovem mais bonito, mais talentoso, mais rico que eu já conheci na minha vida. Ele ficou famoso e rico aos 19 anos e parou de crescer e quando ele morreu, era um homem de 42 anos que na verdade era um garoto de 19 anos. Ele agia, brincava e pensava como um garoto de 19 anos, ele era apenas um garoto divertido. Ninguém...- ele nunca pediu favores ou respeito a ninguém, nos o fazíamos porque o amávamos. Ele era apenas como um de nós, um “garoto brincando com bolinhas de gude”. A outra pergunta que eu escuto é “Elvis era Cristão?” e eu sempre digo que eu não sei, isso é entre ele e Deus, apenas leva um momento breve para tornar-se Cristão e então eu espero que sim. As pessoas me perguntam se Elvis usava drogas e esta pergunta sempre me aborrece um pouco. Mas eu sempre digo, antes de responder essa pergunta... eu conto algo sobre o show-business, quando você chega ao topo do show-business você esta lá apenas porque alguém disse que você é uma estrela – mas você sabe, quando faz a barba de manhã, que você é apenas um rapaz e que essa coisa de estrela está apenas nos olhos dos outros e você tem que reforçar o que você sabe que não é para se tornar o que eles dizem que você é – e daí todo mundo usa algo. Algumas pessoas usam poder, quanto mais poder conseguido mais reforço tem, algumas pessoas usam outras coisas, mas a resposta é: sim, Elvis usou drogas (lícitas e que só podem ser consumidas sob prescrição médica) e isso era parte de um estilo de vida que ele estava levando. Ele não era um traficante, ele era apenas um rapaz tentando ser algo que não era porque as pessoas tinham dito que ele era Elvis Presley. E ser Elvis é algo que requer muito... Qualquer pessoa que tivesse tentado ser “Elvis” teria que ter tido algo para reforçar. Porque humanamente dizendo, ninguém poderia ser o que o público dizia que Elvis era. Não há ninguém tão forte assim, ninguém tão esperto assim, ninguém tão bom assim, ninguém tão bonito assim. Todo mundo achava que ele era um super herói e ele tinha que ser o que eles achavam que ele era.

Jacquie Ele era apenas um ser humano como eu e você. E era tão difícil para as pessoas tirar esta conclusão. Foi uma pena, mesmo...

Donnie – Exato, ele era um ser humano tentando ser um super herói para seu público. Ele só conseguiria sair-se assim através de um certo tipo de apoio externo e ele escolheu drogas, essas pílulas, esses medicamentos. Ele não era ofensivo, agressivo, relaxado ou lerdo. Era apenas parte do estilo de vida e todos ali ao redor estavam fazendo o mesmo.

Jacquie – Eu sei, mas você acha que ele seria capaz – se tivesse vivido – teria sido capaz de se livrar das drogas?

Donnie Ele não estava usando nada que ele não pudesse parar amanhã, se ele tivesse escolhido nunca mais usar, porque ele não era um drogado.

Jacquie – Mas você acha que ele teria ido a uma daquelas clínicas como Betty Ford, para esse tipo específico de tratamento?

Donnie Ele não teria que ir para essas clínicas, ele não estava usando esse tipo de drogas, ele estava tomando pílulas para dormir porque ele ficaria acordado para sempre. Ele ficava tão agitado que ele não conseguia dormir então ele tomava três ou quatro comprimidos e ainda assim ficava acordado. Eu tomava um e ficava sonolento por uma semana. Ele tinha um nível grande de resistência para tudo. E era mais intenso do que o normal, em tudo que fazia: ele ria mais do que qualquer pessoa, ele chorava mais do que qualquer pessoa, ele cantava mais do que qualquer pessoa. O que quer que fosse que ele fazia, o que ele sentia, sempre era mais intenso do que as outras pessoas. Então quando ele tentou usar drogas levava quatro vezes mais para ele do que para mim, por exemplo. Essa é a razão pela qual parecia que ele estava consumindo muito mais - mas ele não estava consumindo mais do que ninguém. E usar drogas não o fez uma pessoa ruim. Eu comparo esta situação à de uma pessoa diabética que precisa de insulina. Não é que você queira, não é que você tenha que ter todo o tempo, mas é algo que você tem que fazer para sair da cama.

Jacquie – Ok, Donnie, mais uma vez, obrigado por doar seu tempo para passar todas estas memórias preciosas que você tem desses dois seres humanos tão únicos, Elvis Presley e J.D. Sumner. Parabéns por todas suas conquistas também e obrigado pela gentileza que você sempre tem com todos os fãs de Elvis. Saiba que os fãs do Brasil apreciam muito esse seu lado também.

Donnie – Jacquie, deixe-me contar uma última história. Cerca de dois anos atrás eu participei do memorial a Elvis que George Klein faz anualmente e eu terminei com um pequeno verso, que procuro passar a todos os fãs de Elvis e você pode usar se quiser. Diz o seguinte: “Ele nasceu para cantar, sua vida era uma canção, mas ele morreu em silêncio e se ainda assim a música continua, nossas vidas devem ser a sua melodia”.

Jacquie – Nossa, que bonito. Eu tenho lágrimas em meus olhos. Estou bem, eu não vou chorar. Obrigado mais uma vez e logo que eu tiver essa entrevista pronta eu enviarei um e-mail para você avisando.

Donnie – Espero que você tenha um dia muito abençoado e continue olhando para cima porque as bênçãos continuam a cair.

Jacquie – Obrigado, Donnie... - a propósito, eu falei com Patsy ontem e ela me pediu para enviar um grande abraço para você.

Donnie Obrigado…(risos)

Jacquie Ela me disse que está sentindo sua falta. É melhor você ligar para ela se você puder.

Donnie – Eu ligarei sim!!! (risos)

Agradecemos imensamente ao Donnie Sumner por esta entrevista tão descontraída e desejamos todo sucesso do mundo para ele em seus projetos atuais e futuros!